O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) prevê que os próximos cinco anos serão marcados por problemas com a geração de eletricidade nos horários de pico. Entre as alternativas para o enfrentamento do problema, estão um maior acionamento de usinas termelétricas e o retorno do horário de verão.
O problema decorre da presença cada vez maior de fontes intermitentes – solares e eólicas – no sistema elétrico nacional. Com admite o próprio diretor-geral do ONS, Marcio Rea: “Com o crescimento das fontes intermitentes, novos desafios também surgiram para a operação. Precisamos cada vez mais de flexibilidade no sistema, com fontes de energia controláveis, que nos atendam de forma rápida para termos o equilíbrio entre a oferta e a demanda de energia, especialmente nos horários em que temos as chamadas rampas de carga.”
É o que dá, encher o país com fontes que só atendem a interesses financeiros de curto prazo (centrais eólicas e solares podem ser construídas em dois anos e sem grandes problemas com o licenciamento ambiental), mas definitivamente não se prestam para o funcionamento na rede de base de fornecimento contínuo (“despachável”, no jargão do setor), abastecida por hidrelétricas, termelétricas e nucleares.
E o problema pode se acentuar ainda mais, se se concretizarem os planos mirabolantes para atrair “data centers” ao Brasil, para usar exatamente tais fontes energéticas ditas “limpas”. Ora, essas instalações, justamente, não podem depender de fontes intermitentes, o que implica que, com frequência, terão que recorrer à eletricidade gerada pelas fontes convencionais.
É o que dá, converter eletricidade em “commodity”.
E pensar que o sistema elétrico brasileiro foi um dos melhor planejados e implementados do mundo, baseado em usinas hidrelétricas, aproveitando ao máximo as diferentes características das bacias hidrográficas do País e interligando-as com redes de transmissão que hoje alcançam quase todo o território nacional.
Imagem: ONS


