Voz da Amazônia
  • Quem Somos
  • Contato
  • Editorial
  • Amazônia
  • Política
  • De Olhos nas ONGs
1 de agosto de 2026 por Redação

Amazônia: entre o abandono e a soberania

Amazônia: entre o abandono e a soberania
1 de agosto de 2026 por Redação

Augusto Cesar Barreto Rocha, Professor Associado da Universidade Federal do Amazonas

As eleições presidenciais estão chegando. Quais os planos para a Amazônia? Parece que o plano principal é o antagonismo de cada um com os demais. E em relação ao que pode ser feito com este território, de modo diferente do que tem sido feito ao longo dos últimos anos? Não há nada de novo nas falas ou projetos tornados públicos até aqui. Não há propostas arrojadas ou simples de transformação para melhor. No ritmo em que vai a subordinação internacional em outros campos do debate, é possível até que seja colocada em dúvida a nossa soberania sobre a região ou até mesmo uma proposta de venda. Felizmente, isso não aconteceu e tomara que não aconteça em qualquer das frentes do embate político.

Vez por outra tenho dúvidas se o país realmente se interessa pelas regiões mais remotas, pois elas seguem isoladas e sem planos substantivos de investimentos no desenvolvimento transformador das regiões de fronteira, nem com um mínimo do antigo mote do “integrar para entregar”. Temos regiões prósperas nas duas grandes capitais amazônicas (Manaus e Belém) e no seu entorno mais próximo. Entretanto, segue sendo muito caro o trânsito por avião na região Norte como um todo e ainda é muito complexo chegar ao interior mais profundo. Quando muito surge um interesse extrativo, como o petróleo na costa do Amapá.

Diferente das pré-campanhas para o Executivo Federal, começam a surgir propostas arrojadas nos Estados. Surge em debate no Amazonas a possibilidade de criação de uma Parceria Público-Privada para uma empresa aérea para voos regionais. Isso me lembrou a TABA, que teve a sua operação entre 1976 e 1999, por uma iniciativa do Governo Federal, com atuação nos Estados do Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima, Pará e Mato Grosso.

No contexto do debate público, a legislação ambiental foi atualizada para permitir, dentre outras coisas, a recuperação da BR-319, cuja recuperação foi iniciada há pouco tempo. Estas duas ações poderão, em conjunto, começar a criar uma ambiência para o transporte mais competitivo na região Norte. Em paralelo a isso temos quase nada no debate. De fato, há uma tentativa do governo atual de conceder rios para favorecer outros países, da Câmara dos Deputados de abrir os céus para empresas estrangeiras, favorecendo outros países. Quase nada há para melhorar a condição da Amazônia para os amazônidas. Seguimos com pautas que favorecem estrangeiros ou facilitam a extração de riquezas.

Esta possível empresa terá grande chance de sucesso. Na região Norte, segundo dados da ANAC, entre junho de 2024 e junho de 2026, voar custava em média R$ 0,9366 / km com correção do IPCA. No mesmo período, a média nacional é de R$ 0,5224. Ou seja, é 79,2% mais caro voar no Norte do Brasil do que na média nacional, com o Norte incluído. É curioso observar que em muitos assuntos parece que estamos com problemas dos anos 1970. Falamos em conquistar uma região que, em tese, é nossa. Falamos em alinhamento com países estrangeiros, lembrando os anos áureos do fascismo. Há até espaço no ambiente político e no debate público para questionamentos sobre a democracia. Ainda bem que nem tudo é igual ao que era e ainda prevalece alguma racionalidade.

Parece que os candidatos aos Governos da Amazônia precisarão montar seus próprios planos. Não parece que teremos uma eleição federal com propostas que busquem os interesses da região. Tomara que pelo menos não entre na pauta um interesse em entregar a Amazônia. Não ter isso no debate público parece que será uma vitória no ritmo das insanidades. Parece pouco, mas no contexto atual é o que temos e não é pouco.

Texto publicado no Jornal GGN

Artigo anteriorO potencial para expansão da produção da palma de óleo no ParáPróximo artigo Hidrovias como estratégia para o desenvolvimento do Brasil

Deixe um comentário Cancelar resposta

Você precisa fazer o login para publicar um comentário.

ARTIGOS RECENTES

Justiça mantém proibição de pedidos de mineração em terras indígenas de Roraima7 de agosto de 2026
MPF processa Banco do Brasil por financiamento de atividade pecuária em terra indígena de Rondônia6 de agosto de 2026
O Brasil precisa negociar mercados, não apenas minas4 de agosto de 2026

EDITORIAL

  • AMAZÔNIA
  • AQUI SE FALA!
  • AUDIOVISUAL
  • BRASIL
  • CAPA
  • CIÊNCIA
  • CULTURA
  • DE OLHO NAS ONGs
  • DESTAQUE
  • ECONOMIA
  • EDITORIAL
  • ENTREVISTAS
  • ESPECIAL
  • INDÚSTRIA
  • MUNDO
  • POLÍTICA
  • POVOS INDÍGENAS
  • Sem categoria
  • ÚLTIMAS NOTÍCIAS

EDITORIA

  • AMAZÔNIA (67)
  • AQUI SE FALA! (59)
  • AUDIOVISUAL (4)
  • BRASIL (22)
  • CAPA (113)
  • CIÊNCIA (9)
  • CULTURA (4)
  • DE OLHO NAS ONGs (17)
  • DESTAQUE (7)
  • ECONOMIA (16)
  • EDITORIAL (2)
  • ENTREVISTAS (4)
  • ESPECIAL (12)
  • INDÚSTRIA (5)
  • MUNDO (6)
  • POLÍTICA (24)
  • POVOS INDÍGENAS (7)
  • Sem categoria (3)
  • ÚLTIMAS NOTÍCIAS (86)

ARTIGOS RECENTES

Justiça mantém proibição de pedidos de mineração em terras indígenas de Roraima7 de agosto de 2026
MPF processa Banco do Brasil por financiamento de atividade pecuária em terra indígena de Rondônia6 de agosto de 2026
O Brasil precisa negociar mercados, não apenas minas4 de agosto de 2026

VOZ DA AMAZÔNIA

Com um olhar crítico e independente, oferecendo informações e análies atualizadas, nos dedicamos a cobrir notícias e temas relevantes para a região, desde questões ambientais e sociais até política internacional e economia. Além disso, Voz da Amazônia também se destaca por sua abordagem de origem, trazendo perspectivas e experiências de líderes e especialistas locais para fornecer uma visão mais completa e diversa dos fatos.

About This Sidebar

You can quickly hide this sidebar by removing widgets from the Hidden Sidebar Settings.

Posts recentes

Justiça mantém proibição de pedidos de mineração em terras indígenas de Roraima7 de agosto de 2026
MPF processa Banco do Brasil por financiamento de atividade pecuária em terra indígena de Rondônia6 de agosto de 2026
O Brasil precisa negociar mercados, não apenas minas4 de agosto de 2026

Editoria

  • AMAZÔNIA
  • AQUI SE FALA!
  • AUDIOVISUAL
  • BRASIL
  • CAPA
  • CIÊNCIA
  • CULTURA
  • DE OLHO NAS ONGs
  • DESTAQUE
  • ECONOMIA
  • EDITORIAL
  • ENTREVISTAS
  • ESPECIAL
  • INDÚSTRIA
  • MUNDO
  • POLÍTICA
  • POVOS INDÍGENAS
  • Sem categoria
  • ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Meta

  • Acessar
  • Feed de posts
  • Feed de comentários
  • WordPress.org