Após decisão judicial, dada pelo TRF-1, o governo federal decidiu reabrir os prazos de licitação das obras de repavimentação do chamado “trecho do meio” da BR-319, que contempla a estrada entre os km 250,7 e 346,2 da rodovia.
Na decisão, a desembargadora Maria do Carmo Cardoso afirmou que a suspensão por liminar do andamento do processo licitatório, a pedido da ONG Observatório do Clima, causava “dano concreto e irreversível ao patrimônio público”. A BR-319 é a única via que liga a capital do Amazonas ao restante do país, por meio do percurso entre Manaus a Porto Velho.
Com a reabertura dos editais de pavimentação, as empresas podem enviar propostas a partir do dia 20 de maio. Esta data quase que coincide com as visitas programadas do presidente Lula às obras da BR-319, nos dias 18 e 19 de maio, quando deve inaugurar a ponte sobre o Rio Autaz Mirim, no km 24, e visitar os trechos já asfaltados entre os km 198 e 218.
Além disso, ainda sobre a BR-319, o Ibama concedeu a licença para a construção de três pontes de concreto no “trecho do meio”, sobre os igarapés Santo Antônio, Realidade e Fortaleza, nos km 575, 590 e 601.
Para Juscelino Taketomi, que escreve para o portal “Em Tempo” do Amazonas, a presença de Lula na inauguração da ponte e na vistoria das obras sinaliza “que a obra deixou de ser apenas uma reivindicação regional e passou a integrar uma estratégia nacional de logística e desenvolvimento da Amazônia” e “tende a consolidar a mensagem de que o Amazonas não aceita mais permanecer isolado enquanto uma disputa judicial sem fim impede avanços considerados essenciais pela população local”.
Contudo, ainda que o presidente sinalize nesse sentido, de ressaltar a importância da BR-319 pavimentada e trafegável ao longo de todo o ano, setores importantes do seu governo, encastelados no Ministério do Meio Ambiente não escondem oposição ao projeto de recuperação da rodovia, que fica coberta de lama no período de chuvas que coincide com o “inverno amazônico” (entre novembro e abril).


