A conferência climática COP30 ainda não acabou, mas não é preciso esperar a declaração oficial para se afirmar que, para o Brasil, o resultado beira o desastroso.
E nem precisamos mencionar os múltiplos problemas da infraestrutura improvisada para o evento, numa cidade sabidamente sem condições de sediar uma conferência internacional com mais de 50 mil pessoas. Problemas que culminaram com o incêndio de ontem na chamada Blue Zone, que obrigou à evacuação das instalações e a paralisação dos trabalhos por mais de seis horas.
O maior golpe para o governo brasileiro foi ter sido forçado a contrariar a sua própria proposta de estabelecer um “mapa do caminho” para a eliminação dos combustíveis fósseis, feita pela ministra do Meio Ambiente Marina Silva e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pressionada pelas grandes potências petroleiras e pelos grandes consumidores de hidrocarbonetos – casos da Rússia, Arábia Saudita, China, Índia e outros –, a presidência da COP retirou qualquer menção ao tema do rascunho da declaração final, provocando ferozes reações.
De imediato, a Colômbia e a Holanda reuniram um grupo de 30 países para anunciar a realização de uma Conferência Internacional para a Eliminação Progressiva dos Combustíveis Fósseis, na Colômbia, em abril de 2026.
Já os cientistas do pavilhão Ciência Planetária, que passaram os últimos dias reclamando que os negociadores não os procuravam para ouvir a “palavra da Ciência”, divulgaram um novo texto qualificando a decisão de “uma traição à ciência e às pessoas”.
Sem surpresa, os ambientalistas compartilham a apoplexia e a linguagem inflamada dos cientistas. Carolina Pasquali, diretora-executiva do Greenpeace, qualificou o texto como “praticamente inútil”. Um modesto Márcio Astrini, do Observatório do Clima, disse que a conferência deixou claras as diferenças entre “os que querem salvar o mundo e os que querem salvar o sistema”.
E outro fiasco esperado foi a ausência de qualquer definição sobre o “financiamento climático”, a ilusória expectativa dos países em desenvolvimento de que as nações industrializadas lhes proporcionarão montanhas de dinheiro a fundo perdido para financiar uma “transição energética justa”.


