A três meses do seu início, a conferência climática COP30, em Belém (PA), enfrenta um sério risco de esvaziamento, devido ao impasse causado pela disparada estratosférica de preços de hospedagens, que já motivou dois pedidos oficiais para uma mudança da sede, prontamente rejeitados pelo governo brasileiro. Não apenas países em desenvolvimento, mas até mesmo nações ricas, estão protestando publicamente contra os preços abusivos cobrados pela rede hoteleira da capital paraense, cujos proprietários parecem ter perdido qualquer sentido de proporção, chegando a cobrar diárias até 15 vezes maiores que as médias para o período. E muitos deles já advertiram que, se não houver uma solução, enviarão delegações reduzidas ou poderão até mesmo cancelar a participação na conferência.
Ou seja, em vez de perseguir a utópica meta “net zero” (carbono zero líquido) dos adeptos da descarbonização da economia mundial, a conferência de Belém parece mais próxima de uma meta “zero hosting”, hospedagem zero.


