A concessão da Floresta Nacional (Flona) do Bom Futuro, em Rondônia, marca um ponto de inflexão na política ambiental brasileira. Pela primeira vez, o governo federal transferiu à iniciativa privada a responsabilidade de restaurar uma área degradada de floresta pública, estabelecendo um modelo inovador baseado em recuperação ecológica e geração de créditos de carbono.
A área concedida será administrada pela empresa Re.green, vencedora de leilão realizado na B3 no dia 25 de março. O contrato prevê um período de até 40 anos, durante o qual a empresa deverá implementar ações de recomposição da vegetação nativa, conservação da biodiversidade e monitoramento ambiental contínuo.
A Re.green é uma empresa de reflorestamento, “restauração de biomas” e de comercialização de créditos de carbono – conforme afirma em seu sítio na internet. A empresa se comprometeu a investir cerca de 87 milhões de reais na recuperação de uma área de 12 mil hectares e a repassar ao governo federal 0,70% da receita operacional bruta gerada na área concedida.
A Re.green tem sua sede no Rio de Janeiro, tendo como investidores pesos pesados do setor financeiro como João Moreira Salles (Itaú-Unibanco), o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga (Gávea Investimentos), além de Guilherme Leal (Natura cosméticos). Conta com apoio financeiro do BNDES, que está engajado na promoção de atividades das “finanças verdes”.
A estimativa do governo é de que o empreendimento gere 479 postos de trabalhos na região, incluindo diretos e indiretos.
O governo espera que o leilão de Bom Futuro sirva como modelo para replicação em outras áreas do país, em especial da Amazônia. Na avaliação do superintendente da Área de Solução de Infraestrutura do BNDES, Ian Ramalho, o projeto representa um avanço importante para a agenda de restauração no país. “É uma experiência capaz de iluminar o caminho para a restauração necessária nas florestas brasileiras em áreas públicas”, afirmou.
Foto: Fernando Donasci/MMA


