Evento promovido pela Marinha do Brasil e pelo Cluster Naval de Águas Interiores reuniu autoridades e especialistas em Brasília para discutir logística, sustentabilidade e o aproveitamento do potencial hidroviário nacional.
Marcelo Barros, do Defesa em Foco
A Marinha do Brasil (MB) promoveu, no dia 28 de julho, no Clube Naval de Brasília, o I Fórum de Águas Interiores, reunindo autoridades, especialistas e representantes do setor para discutir o futuro das hidrovias brasileiras. Realizado em parceria com o recém-criado Cluster Naval de Águas Interiores do Brasil, o encontro colocou em pauta a expansão da navegação interior como alternativa estratégica para fortalecer a logística nacional, reduzir custos de transporte e ampliar a sustentabilidade do sistema de mobilidade do país.
Com palestras e debates sobre economia dos rios, inovação tecnológica e infraestrutura hidroviária, o evento reforçou a necessidade de acelerar investimentos em um modal que, apesar do enorme potencial brasileiro, ainda é subutilizado. O fórum também destacou o papel das hidrovias na integração nacional, no desenvolvimento regional e na redução da dependência do transporte rodoviário.
O fórum foi promovido pela Diretoria-Geral de Navegação da Marinha do Brasil em conjunto com o Cluster Naval de Águas Interiores do Brasil, entidade criada para estimular a integração entre os setores público, privado e acadêmico em torno do desenvolvimento da navegação interior.
Entre os participantes estiveram representantes da Marinha, da indústria, da academia e de instituições ligadas ao transporte e à infraestrutura, que debateram temas relacionados à logística fluvial, sustentabilidade ambiental e inovação aplicada às hidrovias.
A abertura contou com o apoio do Almirante de Esquadra Sílvio Luís dos Santos, Diretor-Geral de Navegação da Marinha, e do Almirante de Esquadra (RM1) Flávio Augusto Viana Rocha, presidente do Cluster Naval de Águas Interiores do Brasil, cuja iniciativa foi destacada pelos participantes como um passo importante para ampliar o debate sobre a navegação interior no país.
Durante o encontro, especialistas ressaltaram que o transporte hidroviário apresenta vantagens competitivas em relação ao modal rodoviário.
Entre os principais benefícios estão o baixo custo do frete, a grande capacidade de transporte de cargas, o menor consumo de combustível e a significativa redução das emissões de gases de efeito estufa.
Além disso, as hidrovias contribuem para diminuir o fluxo de caminhões nas rodovias, reduzindo congestionamentos, custos de manutenção da infraestrutura terrestre e aumentando a eficiência da cadeia logística nacional.Produtos como grãos, fertilizantes, combustíveis, minérios e celulose figuram entre as cargas que mais podem se beneficiar da ampliação da navegação interior.
Apesar de possuir cerca de 60 mil quilômetros de rios, o Brasil utiliza apenas uma parcela desse potencial para a navegação comercial.
Especialistas defendem que investimentos em dragagem, sinalização náutica, balizamento, eclusas, derrocamento e monitoramento das vias navegáveis são fundamentais para ampliar a utilização das hidrovias com segurança e eficiência.
O desenvolvimento desse modal também é apontado como uma oportunidade para impulsionar economias regionais, fortalecer cidades ribeirinhas e ampliar o acesso a comunidades localizadas em áreas remotas.
O fórum também resgatou conceitos apresentados pelo arquiteto e urbanista Sérgio Bernardes, idealizador do Projeto Brasil, elaborado na década de 1970 pelo Laboratório de Investigações Conceituais (LIC).
A proposta prevê a integração das bacias Amazônica, Tocantins-Araguaia, São Francisco e Platina por meio de canais artificiais e eclusas, formando uma grande rede hidroviária capaz de conectar o interior do país aos principais portos brasileiros.
A visão de Bernardes também contempla o desenvolvimento de cidades ao longo dos eixos fluviais, o melhor aproveitamento dos recursos hídricos e uma logística nacional menos dependente do transporte rodoviário.
O I Fórum de Águas Interiores consolidou o tema como uma das prioridades para o futuro da infraestrutura logística brasileira.
Ao reunir governo, Forças Armadas, setor produtivo e especialistas, o encontro reforçou que a expansão das hidrovias representa não apenas uma alternativa de transporte mais econômica e sustentável, mas também uma ferramenta estratégica para fortalecer a integração nacional, ampliar a competitividade da economia e promover o desenvolvimento equilibrado das diferentes regiões do país.
O consenso entre os participantes foi de que o Brasil dispõe de condições naturais únicas para ampliar o uso da navegação interior e que o momento exige planejamento, investimentos e coordenação entre os diversos atores envolvidos para transformar esse potencial em realidade.
Publicado no “Defesa em Foco”.
Imagem: Wilson Lima Filho


