Durante a Cúpula de Líderes que antecede a COP 30, Lula anunciou o fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês).
O fundo seria idealizado por Brasil, Colômbia, Gana, Indonésia, Malásia, Noruega e Alemanha, com a participação do Banco Mundial. Funcionaria captando recursos no mercado a juros reduzidos que seriam investidos em “projetos sustentáveis” com maior taxa de retorno. Parte dos ganhos retornariam aos países protetores de suas florestas tropicais que preservarem suas matas.
Segundo Lula, o fundo pretende captar US$ 125 bilhões, sendo 20% de aportes públicos de diversos países e 80% do setor privado. Brasil e Indonésia teriam colocado US$ 1 bilhão cada; a Noruega, US$ 3 bilhões e a França, US$ 500 milhões.
“O TFFF não é baseado em doação. Investimentos soberanos de países desenvolvidos e em desenvolvimento vão alavancar um fundo de capital misto. O portfólio vai se diversificar em ações e títulos. Os lucros gerados serão repartidos entre os países de florestas tropicais e os investidores”, conforme o presidente brasileiro.
Diante desse projeto audacioso, mas em conformidade com as práticas das “finanças verdes”, algumas questões se colocam para serem consideradas. Primeiramente, o sucesso do TFFF depende do apoio dos mercados financeiros e de suas políticas de governança que já não se mostram tão receptivas às políticas das “finanças verdes”, como há alguns anos. Além disso, a “Fator Trump”: o presidente dos EUA retirou o país do Acordo de Paris e não se mostra nem um pouco receptivo à ideia, ao contrário de seu antecessor.
Por outro lado, há de se definir em que consistem essas políticas de apoio a “projetos sustentáveis”, pois, de outro modo, tratar-se-ia de uma mera recauchutagem da política de créditos de carbono, em que os ganhos financeiros são divididos entre os investidores e intermediários – seja do mercado ou das ONGs, a floresta continua em pé e as populações que lá vivem continuam na miséria, sem que os benefícios econômicos cheguem a ela. Sem acesso a meios de desenvolver atividade econômica e sem acesso ao mínimo de infraestrutura, dos transportes à energia. Mas talvez o ponto que mais chame a atenção seja a adesão limitada dos europeus à proposta de Lula. A Noruega, apesar de aportar o maior valor, dividiu o investimento em um período de dez anos, enquanto o Reino Unido não aderiu e a Alemanha não se comprometeu, achando “arriscada” toda a operação.
Imagem: Bruno Peres/Agência Brasil.


