A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, se assemelha cada vez mais a uma versão contemporânea de Ned Ludd, o lendário líder da revolta dos tecelões ingleses contra o uso de teares mecânicos, no início do século XIX, por “roubarem empregos”. Em inglês e vários outros idiomas, o termo “ludita” passou a ser empregado para rotular uma pessoa que se oponha aos avanços tecnológicos por quaisquer motivos.
Na visão idílica de Marina, os combustíveis fósseis são os modernos equivalentes dos teares mecânicos do início da Revolução Industrial, que precisam ser suprimidos a todo custo, alegadamente, para “proteger” o clima global e a Amazônia.
Inconformada com o prosseguimento dos entendimentos entre o Ibama e a Petrobras para a realização da simulação de um vazamento de óleo no Bloco 59, no litoral do Amapá, e a praticamente certa concessão da respectiva licença ambiental, ela insiste em arranjar pretextos para retardar a exploração da promissora Margem Equatorial Brasileira.
Em entrevista à CNN Brasil, a nossa “ludita-em-chefe” teve o desplante de comparar a exploração no litoral Norte ao garimpo de Serra Pelada. Para ela, é preciso evitar “que a gente tenha, entre aspas, é uma metáfora que eu estou dizendo, uma espécie de Serra Pelada do petróleo numa região tão sensível como essa”.
Mesmo protegendo-se atrás de uma alegada metáfora, a menção ao caótico garimpo do Pará dos anos 80 é um insulto à inteligência alheia e à competência técnica da Petrobras, que tem um histórico de mais de 6 mil poços marítimos perfurados, com mais de mil deles em produção, sem um único registro de vazamento grave. E explora petróleo e gás natural em Urucu, no Amazonas, desde antes da existência do Ibama, em uma área cercada de floresta, sem qualquer acidente relevante.
A sorte de Marina é viver numa época bem mais tolerante, pois não poucos luditas foram enforcados pela destruição dos teares, que era uma de suas principais táticas de ação.


