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7 de agosto de 2025 por Redação

No Acre, fracassa a borracha, cresce a soja

No Acre, fracassa a borracha, cresce a soja
7 de agosto de 2025 por Redação

Evaristo de Miranda

Em 6 de agosto comemora-se a independência do Acre. A Revolução Acreana, movimento de integração do Acre ao Brasil, teve início nessa data em 1902, com a tomada da antiga Mariscal Sucre (Xapuri) dos bolivianos.

Esse evento histórico, comandado por Plácido de Castro e seu exército de seringueiros, marcou a disputa pelo controle dos negócios da borracha. Era a data de independência da Bolívia. Os brasileiros aproveitaram os festejos para atacar.

A revolução terminou em 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis, anexando de vez o Acre e seus mais de 152.000 km2 ao Brasil.

O extrativismo da seringueira logo declinou. A Segunda Guerra marcou um curto ciclo migratório (muitos nordestinos) num sobressalto para ampliar o fornecimento de látex aos EUA (Guerra da Borracha). De lá para cá, o desenvolvimento do estado foi pequeno, por diversas razões. A principal foi o congelamento ou a “federalização” de território pelo Governo Federal.

O governo retirou da gestão estadual e da exploração privada 4,9 milhões de hectares, 30% do estado, destinando-os a terras indígenas e unidades de conservação. Por exigência do Código Florestal, o agro preserva um adicional de 6,2 milhões de hectares, 79% de suas terras. Áreas protegidas (terras públicas e devolutas) e preservadas (terras privadas) totalizam 85% do Acre em floresta nativa. Sobrou 15% para desenvolver o Estado.

Duas décadas da famigerada política de “florestania”, execrados pela população, prometiam uma riqueza vinda do extrativismo e da floresta. Resultaram em desemprego e miséria. Haja dinheiro público perdido. De fábricas falidas de preservativos, operando com látex de seringueiras paulistas nos últimos estertores, até projeto de piscicultura (Peixes da Amazônia), inaugurado várias vezes e inviável por depender de rações do Centro Oeste, entre outros fatores.

Da famigerada “florestania” resultou o aumento da exportação de jovens, nascidos no início desse experimento. Sem oportunidades de trabalho, eles formam-se em cursos técnicos, faculdades e buscam emprego em Santa Catarina… E cresce a violência, ligada ao narcotráfico.

Extrativismo é sinônimo de miséria, inviabilidade econômica e degradação do recurso explorado. O Acre quase não possui minérios, sequer pedras (importa-as de Rondônia para construção civil), nem sítios de beleza cênica ou rios piscosos para o turismo de massa. A riqueza está na agropecuária. Até populações de áreas extrativistas sobrevivem de criar bois, no estado mais ocidental e distante do Atlântico e dos mercados nacionais e mundiais.

As principais exportações do Acre são carne bovina, soja e suínos. Todos em crescimento. A safra de soja 2023/2024 foi de 60 mil toneladas, 32% a mais em relação à anterior. A produtividade média foi de 3.460 kg/ha, 5% acima da nacional. A ponte do Abunã sobre o rio Madeira eliminou a balsa, trouxe economia, redução de custos e rapidez às carretas para Porto Velho. De lá, os grãos seguem pela hidrovia do rio Madeira. Se a safra vai para Leste, o sentido pode inverter, em parte, para o porto de Chancay no Peru. Líderes do agro negociam exportar soja e milho e importar calcário e fertilizantes.

Após 122 anos de independência política, a agropecuária ainda é tratada como uma atividade “delituosa” por órgãos governamentais e ONGs. O agro atacado, resiste ao eugenismo ambientalista e trabalha pela independência econômica do Acre. Todo “santo daime”, digo, dia.

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