Ex-diretor da ANP: “o Brasil amanheceu diferente no dia 20 de outubro de 2025, quando o Ibama, depois de longas hesitações e discussões acaloradas, aprovou a exploração do poço Morpho FZA-M-59 pela Petrobras”.
Em artigo para o portal Poder 360, o engenheiro e ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo Allan Kardec Barros Filho defende o início da exploração do primeiro poço de petróleo na Margem Equatorial (o poço FZA-M-59) marca um potencial novo ciclo estratégico para o Brasil, já que esta região possui estimativas de reservas significativas de petróleo, comparáveis às da fase inicial do pré-sal.
Para Kardec, a conquista técnica, com o fim do demorado processo interno no Ibama, foi possível graças a uma base política sólida, obtida com a criação, neste ano, do instituto da Licença Ambiental Especial (LAE), a partir do senador amapaense Davi Alcolumbre, presidente do Senado.
Em termos sociais, os ganhos com a exploração do petróleo na Margem Equatorial podem corresponder à reparação de desigualdades regionais, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, e não simplesmente à extração de recursos para fora ou para poucos.
Ambientalmente, o autor argumenta que exploração e preservação não são mutuamente excludentes, mas podem integrar-se: ou seja, que a energia extraída possa financiar educação, ciência, infraestrutura e autonomia regional — e não simplesmente ser mais um vetor de dominação externa ou interna.
A Margem Equatorial pode simbolizar um “novo contrato” nacional com a sua própria soberania energética e desenvolvimento — desde que seja orientada por justiça social, respeito ambiental, e autonomia tecnológica (com menção especial à importância de Petrobras como instrumento público de engenharia e identidade nacional).


