A descoberta de petróleo em um poço na Margem Equatorial foi confirmada pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em declaração dada neste domingo, dia 16 de agosto.
Representantes do governo acreditam que a exploração de petróleo na Margem Equatorial pode colocar o Brasil como 5º maior produtor mundial, com reservas de 41 de bilhões de barris, no mínimo, em toda a região que se situa na Plataforma Continental do litoral norte do país. De acordo com a Petrobras, a exploração de petróleo nessa região poderia reverter o declínio da capacidade produtiva do pré-sal a partir de 2034.
O presidente do Instituto de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Furian, também está otimista quanto ao potencial petrolífero da Margem Equatorial. Acredita que se trata de uma “nova fronteira exploratória”, essencial para garantir a segurança energética do Brasil. Para ele, a descoberta comprova uma “teoria geológica”, pois até o momento do início da exploração, não se sabe exatamente o que haveria de petróleo no poço.
Já o presidente do Senado Federal, o amapaense Davi Alcolumbre (União-AP), disse em pronunciamento:
“Estávamos certos. Foram anos de luta para chegar até aqui. Lutamos pelo direito de pesquisar a Margem Equatorial e conhecer as nossas riquezas. Lutamos para que, sendo possível a exploração, essa riqueza seja transformada em emprego, renda, oportunidades e qualidade de vida para o povo amapaense”.
Já o governador Clécio Luís (União-AP) afirmou se trata da “notícia do século” e ressaltou que a descoberta de petróleo e o início da exploração em áreas em alto mar na costa do Amapá deve estar acompanhada da capacitação do pessoal para acomodar a demanda por novos postos de trabalho.
O anúncio da descoberta de petróleo na Margem Equatorial pode dar fim a toda uma campanha de ONGs ambientalistas e indigenistas e até órgãos governamentais contra a exploração, que obrigou a Petrobras a incorrer em custos extraordinários para atender o licenciamento ambiental concedido ao Ibama, considerando que a titular do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva, sempre se manifestou em contrário à exploração, em embate direto principalmente com as lideranças amapaense, com o senador Alcolumbre à frente.
Nesse sentido, o ex-ministro Aldo Rebelo, em entrevista a um podcast, fez questão de lembrar a campanha do Greenpeace contra o empreendimento, com a alegação de frágil base científica de que haveria corais submarinos a serem preservados no fundo do oceano. Alegação que foi desmentida por pesquisadores da Universidade Federal do Pará.
Para Aldo, as lideranças amazônidas deveriam processar o Greenpeace, que recentemente foi condenado a pagar indenização milionária a uma empresa exploradora de gás natural nos Estados Unidos e que o mesmo deveria fazer a presidência da Petrobras – o que não deverá acontecer por alinhamento político do atual governo com representantes da agenda do ambientalismo radical.
Para o Amapá, o início da exploração deve trazer não só os benefícios de arrecadação em tributos e royalties, mas também o desafio dos impactos que serão gerados no futuro em termos de crescimento populacional e aumento da demanda por bens, serviços e infraestrutura.
Como lembra Aldo Rebelo, mais de 90% do território amapaense está imobilizado por reservas ambientais e indígenas, que impedem o aumento da produção agropecuária. Além disso, a infraestrutura de transportes é extremamente precária, pois não há ligação rodoviária contínua entre o Amapá e o restante do país, apenas com a Guiana Francesa (território francês na Amazônia). Assim, a capital Macapá só se liga ao restante do país por hidrovias ou por via área.
Em 2020, em plena pandemia, o Amapá enfrentou um apagão de energia que comprometeu o fornecimento de energia por um período de quase um mês, sem que houvesse aumento da demanda, quando todo o processo de exploração de petróleo na Margem Equatorial ainda estava parado. Hoje, o estado já passa por um processo de inflacionamento dos imóveis, com a atração de novos investimentos e mais consumo.
Como o pico de produção de petróleo deverá chegar em 2035, com estimativas que consideram o início imediato das atividades de exploração, o desafio que se põe ao Amapá é construir infraestrutura permanente e capacitação de pessoal para que os amapaenses mantenham capacidade econômica ainda que a produção venha a diminuir em um futuro mais distante.


