Em artigo para o portal “Poder 360”, o engenheiro e professor titular da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Allan Kardec Duailibe Barros Filho defendeu que as dificuldades físicas para a realização da transição energética com a meta de eliminação total do uso de combustíveis fósseis apontam para um cenário de importância cada vez mais estratégica para o petróleo extraído do Atlântico Sul.
Segundo ele, a substituição integral dos combustíveis fósseis até 2050, em escala global, custaria cerca de US$ 50 trilhões a US$ 100 trilhões – o que exigiria um investimento de US$ 3 a 4 trilhões por ano. Este valor absurdo é o equivalente a todo o investimento do PIB mundial, de modo que a chamada “transição energética” exigiria o direcionamento de todo o esforço econômico mundial em apenas um setor da economia.
Além disso, os sistemas de geração de energia precisam de estabilidade contínua, fator reduzido nas fontes intermitentes de energia, tal como solar e eólica. A substituição de combustíveis fósseis por essas exigiria a construção de uma infraestrutura complementar gigantesca com custos crescentes de forma exponencial.
Assim, segundo Kardec, ex-diretor geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), os custos crescentes da geração de energia, consubstanciados na crise de oferta no Oriente Médio, por causa do atual conflito no Golfo Pérsico, reforçam o papel estratégico das reservas de petróleo no Oceano Atlântico e da Petrobras como operadora. Para ele, o eixo da produção de petróleo está se deslocando do Oriente para o oceano que nos banha, destacando as reservas da costa oeste da África, o pré-sal brasileiro e as novas fronteiras exploratórias da Guiana e do Suriname.
Nesse sentido, a importância da estatal brasileira adquire vulto por sua capacidade tecnológica na extração em águas profundas e pelo tamanho de suas reservas. Também, nesse cenário, a Margem Equatorial “deixa de ser uma possibilidade e passa a ser uma exigência estrutural”.
De fato podemos assinalar que o atraso na exploração do petróleo na Margem Equatorial, na costa do Amapá, já traz prejuízos ao país, se considerarmos que a exploração ainda está em estágios iniciais, mas que poderia estar em plena produção não fosse a interminável litigância ambiental dos últimos anos.


