Aldo Rebelo
Enquanto o mundo assiste a uma guerra centrada no acesso e na soberania sobre infraestruturas, o Brasil continua patinando na produção e manutenção de seu próprio estoque de infraestrutura.
O caso das ferrovias no Brasil é emblemático. O transporte sobre trilhos seria uma forma de elevar nossa produtividade geral em pouco tempo. Mas a maioria dos projetos existentes não consegue evoluir devido a bloqueios institucionais.
Segundo o Livro Azul da Infraestrutura 2025, publicado pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), hoje existem no Brasil 15 projetos de ferrovia. Eles têm o potencial melhorar muito a conexão de centros produtores de grãos e minérios com os portos e centros logísticos.
Porém dos 15 projetos hoje em discussão, apenas cinco conseguiram chegar à fase de contratação, e somente um outro está em fase de edital. Todos os demais estão parados em consultas públicas, em estudos ou aguardando acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU).
O valor total estimados destes projetos parados é de nada menos que R$ 183,9 bilhões! Mas o número real é certamente maior, pois em vários casos nem sequer o orçamento final foi feito, a exemplo da prorrogação da Ferrovia Transnordestina (4.238 km atravessando quase todos os estados do Nordeste).
São projetos como a Ferrogrão (933 km entre Mato Grosso e Pará), que tem valor estimado em R$ 33,3 bilhões e está vergonhosamente interditado graças aos poderosos lobbies internacionais ambientalistas. Parados estão também a renovação da Malha Oeste (1.973 km conectando MS e SP), a Ferrovia Vitória-Rio (575 km entre RJ e ES) e o trecho da Ferrovia Norte-Sul entre Açailândia (MA) e Barcarena (PA), que deverá ter 530 km por um valor de R$ 10 bilhões.
A burocracia dos licenciamentos no Brasil é responsável por um enorme atraso na infraestrutura nacional, e isso nos prejudica a todos! Vale lembrar que a cada R$ 1 investido em infraestrutura, o efeito multiplicador é de pelo menos mais R$ 1, e às vezes mais.
São empregos que o Brasil perde, riqueza que deixa de ser produzida, produtividade econômica que deixamos de agregar. O Brasil não pode seguir assim. É urgente discutir a unificação do licenciamento de grandes obras em um único órgão federal. Esse é o debate eleitoral que precisamos fazer este ano, se quisermos voltar a crescer e desenvolver de verdade.


