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20 de novembro de 2025 por Redação

Seria o alarmismo climático uma fraude científica e moral?

Seria o alarmismo climático uma fraude científica e moral?
20 de novembro de 2025 por Redação

Valterlucio Campelo

Em tempo de COP30, fracasso monumental promovido pelo governo brasileiro em Belém, na tentativa de assumir a liderança do processo global de transição energética, com a consequente eliminação das emissões de CO² na atmosfera, parece interessante apresentar pontos de vista discordantes. Já que não há uma “ANTI-COP”, na qual cientistas céticos possam confrontar dados, informações e teses relacionadas ao alarmismo climático, talvez interesse aos leitores saber o que há no outro lado da corda.

Tomo como base o livro The Fossil Future (2024), de Alex Epstein, no qual o autor desenvolve uma teoria centrada na dependência humana dos combustíveis fósseis, em contraposição aos ambientalistas que apontam essa fonte energética como o bandidão de um processo de aquecimento global que terminará por danar o planeta fatalmente.

Essa narrativa é, como se sabe, mundialmente impulsionada por especialistas, mídia e líderes políticos, que de olhos vendados seguem em fila agarrando-se ao líder, enquanto muita gente ganha dinheiro e carreiras acadêmicas e políticas são projetadas mundialmente. No entanto, como argumenta o especialista em energia Alex Epstein já em seu livro anterior (The Moral Case for Fossil Fuels, 2014), o debate atual apresenta falhas graves. O erro não reside nos fatos isolados, escolhidos a dedo, mas sim no quadro geral de pensamento utilizado. O consenso anti-fóssil adota o que Epstein chama de “Quadro Anti-Impacto”, que supervaloriza o ambiente intocado e concentra-se exclusivamente nos efeitos colaterais negativos da atividade humana ignorando intencionalmente os benefícios que tornam nossa vida possível. É como ir contra quebrar os ovos sem se importar com os famintos que serão alimentados.

Em contraste, Epstein propõe o “Quadro do Florescimento Humano”, que exige uma avaliação honesta de custo-benefício da utilização dos combustíveis fósseis, cujo padrão moral é a promoção da vida, da saúde e da prosperidade da humanidade. Quando levada em consideração, revela-se uma verdade insofismável: os combustíveis fósseis são a maior ferramenta que a humanidade já descobriu para criar um mundo mais seguro, limpo, próspero e viável, unicamente capaz de assegurar um futuro à humanidade.

Para começar, é preciso reconhecer o seu papel como a fonte de energia mais barata, confiável, densa e escalável que existe. Foram essas características que permitiram a civilização moderna e a erradicação de inúmeros flagelos históricos.

Os combustíveis fósseis fornecem mais de 80% da energia mundial porque são incomparáveis em sua capacidade de gerar eletricidade e calor sob demanda, 24 horas por dia, 7 dias por semana, independentemente do tempo ou da hora do dia, e, sem energia acessível, não há fábricas, hospitais, irrigação e mecanização agrícola em grande escala, purificação de água, transporte moderno ou redes de comunicação. Toda a cadeia de suprimentos seria interrompida.

Poderia se perguntar se, sem a energia de origem fóssil, a pobreza extrema teria caído de 42% em 1980 para 10% atualmente. Isto ocorreu basicamente na China e Índia, pelo uso de combustíveis fósseis.

Teríamos sem os combustíveis fósseis, a produção de alimentos que supre 8 bilhões de pessoas, o funcionamento de hospitais e a produção industrial que permitiu o aumento da expectativa de vida de pouco mais de 40 anos para mais de 75 atualmente?

Para Epstein, restringir o uso de petróleo, carvão e gás natural — os pilares dessa prosperidade — é um ato imoral que condena as populações mais pobres do mundo à pobreza energética, forçando-as a depender de biomassa suja (como lenha e esterco), que causa doenças respiratórias.

A crítica mais feroz dos ambientalistas aos combustíveis fósseis é o seu impacto no clima. Epstein não nega que as emissões de CO², contribuíram para um aquecimento de aproximadamente 1,0 grau nos últimos 170 anos, portanto nem pode ser chamado de “negacionista”, mas insiste que esse impacto deve ser colocado em contexto com o imenso benefício que os combustíveis fósseis nos deram: a capacidade de dominar o ambiente natural. Para sustentar essa tese, Epstein nega o alarmismo climático com uma constatação: As mortes relacionadas ao clima tiveram uma queda de 98% nos últimos 100 anos, graças à tecnologia e à infraestrutura alimentadas por combustíveis fósseis.

O paradoxo é evidente: enquanto o planeta aqueceu levemente, o uso de combustíveis fósseis nos permitiu construir cidades, canais, sistemas de alerta precoce, represas, sistemas de irrigação e estruturas robustas que nos tornaram muito mais resistentes e protegidos.

Outro aspecto discutido por Epstein é que os defensores da rápida transição para energias “limpas” prometem um futuro de eletricidade abundante e barata, alimentada por solar e eólica. Segundo o autor, há falhas nessa ideia, relacionadas à intermitência, ou seja, instabilidade de oferta que, para ser mantida exigiria armazenamento em baterias cuja produção e manutenção teria um custo estimado em centenas de trilhões de dólares e custo ambiental correspondente em materiais.

Além disso, a própria produção das pás das turbinas eólicas e dos painéis solares são feitos de plásticos e metais que exigem grandes quantidades de energia fóssil para serem minerados, processados e transportados. Por sua vez, os carros elétricos contêm centenas de quilos de petroquímicos derivados do petróleo.

A ideia de uma transição completa é, portanto, uma ilusão: tentar eliminar os combustíveis fósseis prematuramente não nos levará a um futuro verde, mas sim a um futuro de escassez energética, instabilidade econômica e estagnação do desenvolvimento humano.

A verdadeira questão não é se os combustíveis fósseis têm um impacto, mas se seu uso leva a um mundo melhor ou pior. A análise de Epstein, apoiada por dados históricos de longevidade, saúde e redução de mortes climáticas, leva a uma conclusão inegável: o uso dos combustíveis fósseis é moralmente justificável e necessário. Ao invés de nos apegarmos a previsões catastrofistas infundadas, a sociedade deve:

  1. Reconhecer e promover os benefícios insubstituíveis dos combustíveis fósseis, especialmente para os mais pobres.
  2. Continuar investindo em tecnologias de “Domínio do Clima” (adaptação) para gerenciar o aquecimento de forma econômica.
  3. Adotar políticas de “Liberdade Energética” que permitam que as fontes de energia mais promissoras (como nuclear e, a longo prazo, alternativas verdadeiramente escaláveis) alcancem seu potencial, sem restringir a energia fóssil que o mundo necessita hoje.

Conclui o autor com uma assertiva: O caminho para o florescimento humano global não é se livrar dos combustíveis fósseis, mas sim abraçar a energia que nos permitiu transformar um planeta de escassez em um mundo de abundância. O Futuro Fóssil não é uma ameaça; é o imperativo moral para a prosperidade da humanidade.

Este é, em síntese, o pensamento de Alex Epstein em confronto com os alarmistas do clima reunidos em Belém. Recomenda-se enfaticamente pensar criticamente e soltar as mãos da mídia e dos políticos de vez em quando

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